Por Jefferson Martins, CEO da Zhen Home. Outubro de 2026.
A cor de referência do design internacional oferece um bom exemplo do que é sólido e do que é aposta. A Pantone anunciou a PANTONE 11-4201 Cloud Dancer como cor do ano de 2026 em 4 de dezembro de 2025, segundo a cobertura da Designboom e do Washington Post. A página oficial da Pantone descreve a cor como um branco "lofty" que serve como símbolo de influência calmante. Até a data deste texto, não encontrei anúncio oficial da cor de 2027. Quem disser qual será hoje está apostando.
Quando olho para as previsões de 2027 que circulam em sites de decoração, o padrão se repete. Alguns exemplos que li com atenção:
Isso não invalida essas peças. Elas funcionam como inspiração, e a inspiração tem valor comercial. O problema surge quando a inspiração é apresentada como evidência. A leitura útil é outra: onde fontes independentes convergem, há sinal; onde divergem, há debate; e onde só um fabricante afirma, há marketing.
Com essa régua, vale começar pelo que já aconteceu em 2026, porque é sobre esse terreno que 2027 será construído.
A Dezeen reuniu designers de interiores para descrever o ano. O consenso que aparece no texto é de contenção, sem volta ao minimalismo duro. O designer Andre Fu resumiu a tendência como "curated calm over superficial opulence", ou seja, calma curada no lugar da opulência superficial. Keiji Ashizawa e o Dimore Studio descrevem ambientes mais calmos, mas ainda em camadas e refinados.
Para o concreto, essa mudança é importante. Um ambiente de calma curada não aceita materiais que pareçam decorativos por obrigação. Ele pede materiais com presença própria, e o concreto arquitetônico, quando bem executado, tem presença sem precisar de ornamento.
Ainda na Dezeen, a designer Claire Sá defende que a patina seja celebrada, em vez de escondida, e orienta deixar os materiais "evoluir naturalmente". O texto cita acabamentos como madeiras escuras, metais envelhecidos, pedras com textura e revestimentos de cal. A ideia central é que o material bom envelhece bem e registra a história do uso.
Essa é a melhor defesa do concreto como material de longo prazo. A peça muda com o tempo, e a mudança é previsível quando o produto é bem especificado e bem mantido. Vender concreto sem falar de manutenção é desperdiçar o argumento mais forte que ele tem.
Em 19 de julho de 2026, o Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre a volta do brutalismo ao design de interiores. A arquiteta Cristina Battirola liga o movimento à busca por autenticidade, com pessoas querendo materiais reais em vez de imitações. Ela também desmonta a ideia de que o brutalismo é frio e só cinza. As versões contemporâneas misturam concreto com madeiras quentes, latão, tecidos naturais e paletas terrosas. A reportagem cita o freijó e o ipê como madeiras que suavizam o concreto, e recomenda luz quente e indireta no lugar da luz branca direta.
O mesmo texto traz um contraponto que subscrevo integralmente. O arquiteto Sérgio Facundes alerta contra seguir a tendência só porque ela está em alta, e sugere interpretações mais suaves, como concreto em tom bege ou esquadrias coloridas. Essa é a fala mais madura que li sobre o assunto em 2026, porque coloca a função e o cliente acima da estética.
A FAP Ceramiche, fabricante de porcelanato, chama a direção de "Soft Brutalism" e a relaciona à natureza primitiva, com pedra crua, madeira sem tratamento, minerais e pigmentos naturais. O texto é promocional, e os produtos da marca aparecem como exemplos em todo o artigo. Ainda assim, a ideia de um concreto macio, de superfície aveludada e fosca, é coerente com o que os arquitetos descrevem na reportagem brasileira.
A escolha da Pantone para 2026 é útil como sintoma. Um branco quase cru, que se aproxima de tons minerais, indica que o mercado está cansado do contraste frio e busca neutros com alma. Esse sintoma é compatível com a calma curada da Dezeen e com as paletas minerais que aparecem nas fontes de 2027. Não é prova, mas é uma pista consistente.
Se eu tivesse que resumir as previsões de 2027 em uma frase, seria: menos estilo único, mais combinação intencional. A Maison Vogue fala em sair da fórmula para a intenção. A Quorum fala em personalidade como luxo. A Joelini fala em minimalismo acolhedor. As três apontam para a mesma direção, e isso merece atenção. Quando fontes sem relação entre si chegam ao mesmo lugar, a convergência vale mais do que cada uma isolada.
A tabela abaixo separa o que cada fonte afirma e o nível de sustentação que ela oferece.
| Fonte | Principal afirmação | Sustentação |
|---|---|---|
| Maison Vogue (set. 2026) | Combinação de estilos, verdes e terrosos, metais envelhecidos | Opinião editorial, sem fontes |
| Quorum Home Design | Sete movimentos, incluindo materiais naturais e retorno do inox | Promove a própria coleção, sem dados |
| Joelini | Minimalismo acolhedor, espaços multifuncionais, portas integradas | Vende sistemas de portas, sem dados |
| Dezeen (2026) | Calma curada, patina, cromo no lugar do latão | Designers nomeados, opinião profissional |
| Correio Braziliense (2026) | Brutalismo suave, autenticidade, madeira e luz quente | Arquitetos nomeados, sem estatísticas |
A tabela mostra algo que o leitor precisa ter em mente. Nenhuma dessas fontes apresenta um levantamento de mercado, uma pesquisa com consumidores ou um estudo de vendas. Quem decide comprar uma cuba de concreto, ou qualquer outro material, deveria exigir esse tipo de base antes de mudar um produto por causa de uma tendência.
A primeira tendência com algum lastro é a troca do minimalismo de superfícies brancas e vazias por um minimalismo de textura. Os textos de 2027 dão nomes diferentes à mesma ideia. A Maison Vogue chama de "Warm Minimalism", ou minimalismo quente, e o descreve como um minimalismo mais tátil, feito de textura em vez de vazio. A Joelini fala em "minimalismo acolhedor", com menos objetos decorativos, escolhidos com intenção. A Correio Braziliense, em 2026, fala em neobrutalismo, uma releitura confortável e funcional do movimento.
Por que isso importa para o concreto? Porque o minimalismo vazio deixou o concreto em desvantagem. Quando a sala tem poucos elementos, a superfície do material passa a ser o único assunto. Um concreto liso e cinza sob luz fria pode parecer apenas frio. O mesmo material, com variação tonal, microporos e uma leve irregularidade, sob luz quente, ganha profundidade. Esse é o mecanismo que faz o concreto funcionar no minimalismo tátil. Ele não depende de ornamento, mas depende de acabamento e iluminação.
Minha leitura é que o concreto tem uma vantagem sobre a louça branca nesse cenário. A louça é excelente em brilho, higiene e padronização, mas oferece pouco assunto visual. O concreto oferece assunto visual, e o cliente que busca calma curada tende a preferir a peça que conta alguma coisa. A desvantagem é que esse assunto varia de peça para peça, e o comprador precisa aceitar essa variação. Quem vende concreto deve tratar a variação como argumento, e não escondê-la em fotos retocadas.
Há, porém, um ponto que o debate exige. A Correio cita a arquiteta Cristina Battirola ao dizer que o brutalismo não é necessariamente frio. Mas um ambiente só de concreto pode, sim, ser frio. A reportagem recomenda dosagem: uma parede exposta, uma viga, um contraste com madeira quente. Esse é o conselho que eu daria a qualquer cliente. O concreto funciona melhor como ponto focal do que como cenário inteiro, principalmente em banheiros pequenos. A própria reportagem sugere concreto como foco em espaços pequenos, com acabamentos de cimento mais claros e muita luz natural.
Tenho uma crítica ao discurso de "warmth" que aparece em várias fontes de 2027. Ele é apresentado como se fosse novidade, mas o conceito de calor por contraste é antigo na arquitetura. Materiais frios com madeira ou tecido sempre funcionaram. O que muda é a linguagem, e a linguagem é o que os blogs vendem. Quando um texto afirma que 2026 marcou o retorno do calor e do caráter, ele não apresenta dados. Apresenta uma impressão, e a impressão só é útil quando é testada com clientes reais.
Durante anos, o concreto foi tratado como cinza. Essa era uma limitação de mercado e de técnica. Hoje, a discussão mudou. Concreto arquitetônico pode ter tonalidades que vão do claro ao escuro, passando por tons quentes, e pode ser pensado como sistema de cor, e não como cor única.
A Zhen Home trabalha com essa lógica. Na nossa linha, as cores informadas para a cuba suspensa ZH1010 são preto, cinza, verde, terracota e romano, e a página do produto também apresenta a opção natural. Para a cuba de piso ZH1009, a página do produto lista natural, verde, terracota, romano e preto. Essas escolhas dialogam diretamente com as paletas de 2027 descritas nas fontes que li.
A Maison Vogue, no texto sobre 2027, lista como cores de referência tons de vermelho escuro, como oxblood e merlot, verdes como moss e olive, marrons e laranjas terrosos como tobacco e clay, e roxos como aubergine e plum. Entre os neutros, cita parchment, warm ivory e um bege puxado para o argila. Ela sugere combinações como marfim quente com nogueira e oliva, ou tabaco com travertino e musgo. Essas combinações não são dados. São sugestões de designer. Mas mostram para onde o gosto está caminhando, e o gosto é o que move a compra.
Tomando essa referência como ponto de partida, a conversa sobre a linha de concreto ganha forma. O verde musgo e o terracota se aproximam dos tons de musgo e argila. O natural e o romano conversam com marfim, pedra e travertino. O preto e o cinza funcionam como âncora para combinações mais contrastantes, com madeira escura e metal envelhecido. Essa leitura é minha, não de nenhuma fonte, e deve ser tratada como análise.
A cuba de piso ZH1009 merece atenção específica. Pelo desenho técnico da peça, ela tem 40 cm de diâmetro e 45 cm de altura total. A coluna tem 34 cm, e a bacia, 11 cm, incluindo um friso horizontal de 15 mm que separa as duas partes. Essa proporção é o que dá à peça a leitura de escultura, e não de mobiliário. Ela é uma cuba de piso freestanding, sem necessidade de bancada, pensada para uso com torneira de parede ou de piso, que não acompanha o produto.
O que essa peça ensina sobre 2027 é que proporção vale tanto quanto cor. Um cliente que busca calma curada percebe a diferença entre uma coluna esbelta e uma coluna pesada, mesmo sem saber explicar por quê. A ZH1009 é baixa, e por isso se relaciona com o espaço de outra forma. Isso não garante venda, mas dá ao comprador um argumento visual claro.
Há uma pergunta que o mercado ainda não respondeu bem: como o cliente escolhe a cor? Uma linha com cinco cores exige um guia de escolha. Eu sugiro que a página de cada cor mostre a peça no mesmo ambiente, com a mesma luz e com o mesmo metal de torneira. Sem isso, o cliente compara cores em fundos diferentes, e a comparação não funciona.
O concreto tem um problema climático que não se resolve com marketing. O cimento é o ingrediente central, e a produção de cimento emite CO2. O Fórum Econômico Mundial afirma que a produção de cimento responde por cerca de 8% das emissões globais de CO2, com 1,6 bilhão de toneladas de CO2 em 2022, segundo dados que o próprio texto atribui à Statista. Esse número é o ponto de partida correto para qualquer conversa séria sobre concreto em 2027.
A resposta da indústria existe e pode ser medida. A Global Cement and Concrete Association (GCCA) declarou em 2020 que seus membros se comprometeram a produzir concreto carbono neutro até 2050. A página da associação informa que a indústria reduziu em 20% as emissões de CO2 por tonelada de cimento nas últimas três décadas, e que o roteiro busca alcançar a mesma redução em apenas uma década. Segundo a mesma página, os membros da GCCA representam 80% da indústria mundial de concreto fora da China. A página não detalha as alavancas técnicas, como clínquer, combustíveis alternativos ou captura de carbono. Para isso, seria preciso consultar o roteiro completo.
A minha posição como fabricante é direta. Não vou afirmar que o concreto é sustentável por natureza, porque a afirmação não se sustenta com os números acima. Também não defendo abandonar o material, porque ele tem história longa na construção civil e pode ser pensado para vida útil longa. A conversa correta é sobre intensidade de carbono por produto, durabilidade e origem da matéria-prima. Quem vende concreto precisa estar disposto a responder essas perguntas com documentos.
Aqui está uma oportunidade que o setor ainda subexplora. Em 2027, o arquiteto que especifica material vai pedir declarações ambientais, e o cliente final vai começar a perguntar. A empresa que tiver documentação clara sobre composição, origem, ensaios e manutenção vai vender mais. A que responder com adjetivos vai perder a conversa. O critério de compra está mudando de "é bonito" para "é bonito e eu consigo justificar".
Há também um contraponto que o leitor deve considerar. Sustentabilidade não é apenas a emissão do material. É a vida útil da peça. Uma cuba que dura décadas sem substituição pode ter impacto total menor do que um produto barato que vira resíduo em poucos anos. Mas essa afirmação depende de dados de durabilidade do próprio produto, e precisa ser comprovada pela marca antes de virar argumento de venda. Por enquanto, é uma hipótese a verificar.
O banheiro deixou de ser apenas um cômodo funcional. A Maison Vogue, na lista de 2027, cita cozinhas e banheiros que se comportam como cômodos, e não como espaços técnicos. Esse movimento se conecta com a demanda por lavabos e banheiros sociais que funcionam como ambientes de exposição da casa.
Nesse contexto, a cuba suspensa ganha força. Ao liberar o piso sob a peça, ela deixa o ambiente visualmente mais leve e facilita a limpeza do chão. A cuba suspensa ZH1010 tem 40 cm de diâmetro e 45 cm de altura total, com corpo de 34 cm e bacia de 11 cm, incluindo o mesmo friso de 15 mm da linha. Ela acompanha suporte para fixação na parede. A válvula e o sifão saem instalados de fábrica. A torneira não acompanha o produto.
A peça suspensa, porém, exige planejamento que a peça de piso não exige. A parede precisa ser avaliada quanto à estrutura e ao tipo de fixação. A saída de esgoto precisa ser planejada antes que a alvenaria esteja pronta. A torneira precisa ser escolhida com a altura correta para o conjunto. Nada disso é complicado para um profissional habilitado, mas é fácil de ignorar para quem compra pela foto.
Esse é, a meu ver, o ponto mais importante deste texto para o consumidor e para o instalador. A tendência de peças suspensas cresce, mas o erro mais caro é tratar a instalação como detalhe. Uma peça suspensa mal fixada não é apenas um problema estético. É um risco. Por isso, a página da ZH1010 pede verificação da parede e fixação conforme a orientação do fabricante e de profissional habilitado. Essa frase não é burocracia. É a condição para que a tendência seja boa para o cliente.
A comparação entre as duas versões ajuda a escolher. A suspensa serve a quem tem parede disponível e quer liberar o piso. A de piso, como a ZH1009, serve a quem prefere uma peça autoportante, com a sensação de escultura no chão. Não é uma escolha de qualidade, é uma escolha de obra e de estilo. O bom consultor sabe explicar essa diferença sem empurrar a peça mais cara.
A conversa sobre cor em 2027 tem duas camadas. A primeira é a cor oficial de cada ano, que a Pantone define. A segunda é a paleta que revistas e designers colocam em circulação. Para a primeira camada, a informação mais honesta é que a Pantone ainda não anunciou a cor de 2027 até a data deste texto. O anúncio do ano anterior saiu em dezembro de 2025. Quem afirmar a cor de 2027 sem fonte oficial está especulando.
A segunda camada tem mais sinal. Quando a Maison Vogue lista vermelho escuro, verde musgo, marrom tabaco, argila, marfim e um rosa-gesso, ela não está inventando uma paleta. Está descrevendo um gosto que aparece com frequência em projetos e produtos. Vale lembrar que se trata de uma leitura editorial, e não de um levantamento. Mesmo assim, a repetição de tons terrosos em fontes de 2026 e 2027 é uma pista consistente.
Na Dezeen, a designer Kelly Wearstler prevê paletas levemente deslocadas, com cores esfumaçadas, tons minerais e um acento saturado. Essa formulação é interessante para o concreto, porque ele não precisa de acento saturado para ter força. Um concreto terracota ou verde musgo já é o acento. Quem combina com um tom neutro e um metal envelhecido cria o contraste que a designer descreve, sem precisar de cor extra.
A combinação de cor e material exige cuidado. Um verde musgo em concreto tem comportamento diferente de um verde musgo em tecido ou tinta. A variação tonal do material muda a leitura da cor sob a luz. Por isso, a melhor prática é ver a peça física ou pedir amostra antes de decidir. A foto em tela não reproduz bem a textura nem a variação do concreto, e isso precisa ser dito ao cliente.
Minha recomendação para o lojista e para o arquiteto é simples. Trate cada cor como um sistema, e não como uma opção isolada. Mostre a cor em três situações: sob luz quente, sob luz neutra e ao lado de madeira, metal e tecido. Assim, o cliente vê o que de fato terá em casa, e não o que a foto de estúdio promete.
Também sugiro uma pergunta incômoda para o próprio mercado de cores. Quantas marcas de concreto têm uma paleta documentada, com nomes, códigos e referências de uso? Quantas explicam como a cor envelhece? Se a resposta for poucas, existe espaço para quem fizer esse trabalho com seriedade. Esse é um diferencial que não depende de verba de mídia.
Se a cor é o primeiro impacto, a textura é o que faz a peça ser lembrada. As fontes de 2026 e 2027 convergem em alguns pontos que merecem ser detalhados.
A FAP Ceramiche descreve um concreto aveludado e fosco, com pedra porosa e metal com patina quente e fosca, em vez de brilho. Descreve também superfícies irregulares e táteis, que mostram sinais de trabalho manual, imperfeição e idade. E recomenda misturar acabamentos ásperos e foscos com superfícies brilhantes ou coloridas. A Correio Braziliense repete a lógica com outra linguagem: o contraste entre áspero e liso, ou entre fosco e polido, é o que dá sofisticação ao estilo. A Maison Vogue, por sua vez, lista limewash e reboco veneziano como acabamentos de parede, além de metais antigos e envelhecidos.
O ponto em comum é a rejeição ao acabamento perfeito e uniforme. Isso é uma mudança cultural relevante para o concreto, porque a indústria passou décadas tentando eliminar variações. Em 2027, a variação passa a fazer parte do produto. A pergunta que muda é: a variação é defeito ou assinatura? A resposta depende de como o produto é apresentado e das expectativas que o cliente tem ao comprar.
A Zhen Home descreve nas suas páginas de produto que o concreto arquitetônico apresenta variações naturais de tonalidade, poros e veios, e que cada peça é única. Essa é a verdade técnica do material, e ela precisa ser dita antes da compra. Quando o cliente recebe uma peça e encontra algo diferente da foto, a frustração nasce de uma expectativa mal construída, e não do material.
Aqui surge uma tensão que não pode ser ignorada. Peças de concreto mostram microporos e textura visível, e ao mesmo tempo costumam ser apresentadas com acabamento impermeável e de fácil limpeza. As duas características podem coexistir, porque a porosidade superficial visível não é necessariamente absorção de água. Mas o cliente comum não faz essa distinção. Se ele vê poros e lê impermeável, pergunta com razão como as duas coisas se conciliam.
A saída correta é técnica e documental. A afirmação de impermeabilidade precisa de um ensaio de absorção de água conforme a norma técnica aplicável, e o resultado precisa estar disponível para o cliente e para o arquiteto. Cada marca deveria publicar o laudo, a norma utilizada e o valor medido. Se você é fabricante, esse é um dos documentos mais valiosos que pode ter. Se você é consumidor, peça esse documento antes de comprar.
Há uma lição de textura que vale para qualquer marca em 2027: a textura visível precisa ser coerente com a textura real. Uma foto retocada que suaviza o material cria expectativa falsa. Uma foto que mostra a variação real, com luz natural, cria confiança. A tendência de superfícies honestas é também uma exigência de honestidade na comunicação.
O metal da torneira muda completamente o tom de um banheiro, e é aqui que as fontes de 2027 mais divergem. Esse é um bom exemplo de como uma previsão precisa ser lida com cuidado.
Na Dezeen, o designer Andreas Christodoulou afirma que o cromo substitui oficialmente o latão, e a designer Tola Ojuolape descreve o cromo como um metal mais frio. A tese é que o latão teve seu momento e o cromo volta como acabamento padrão.
A Maison Vogue, em 2027, aponta para o contrário. Ela cita latão, metais antigos e envelhecidos, e combinações de metais. A Quorum Home Design fala no retorno do inox e dos cromados, combinados com madeira, pedra, couro ou vidro. A Correio Braziliense, em 2026, lista o latão entre os elementos quentes que acompanham o concreto.
Ou seja, uma fonte aponta para o cromo, duas apontam para o latão ou metais envelhecidos, e a Quorum mistura as duas leituras. Não há consenso claro. Quem garantir que o cromo ou o latão vai dominar 2027 está vendendo uma certeza que não tem.
Minha análise é que a escolha do metal depende da temperatura que o concreto já tem. Um concreto natural ou terracota recebe bem o latão envelhecido, porque o calor do metal e o do material se reforçam. Um concreto preto ou cinza frio pode ganhar contraste com cromo, que reforça a leitura contemporânea e industrial. Essa é uma regra de composição, e não uma previsão. Ela tende a valer além de 2027.
Para a Zhen Home, há uma implicação prática. A cuba é vendida sem torneira, e isso coloca o cliente diante de uma escolha de metal que afeta o resultado final. Vejo aí uma oportunidade: oferecer um guia de combinações, com exemplos de metal por cor de concreto, em vez de deixar o cliente sozinho com essa decisão. O guia não precisa ser um catálogo de torneiras. Basta ser uma explicação clara de como cada combinação se comporta.
Uma questão que o mercado de 2027 vai enfrentar sem rodeios é a diferença entre concreto e aparência de concreto. A FAP Ceramiche, por exemplo, comercializa um grês porcelanato com efeito de concreto e apresenta essa linha como releitura do material. Trata-se de um produto legítimo, com vantagens reais de uniformidade, manutenção e peso. O problema começa quando o efeito é apresentado como se fosse o material.
O concreto real tem variação, peso, massa e uma história de construção que a imitação não reproduz. O efeito cerâmico tem padronização, leveza e comportamento previsível. Nenhum dos dois é superior em todos os casos. A escolha depende do uso, da estrutura disponível, do orçamento e do quanto o cliente valoriza a variação.
Como fabricante de concreto, tenho um viés e o declaro. Acredito que a peça real é insubstituível quando o cliente busca a variação como assinatura. Mas reconheço que a imitação é uma escolha honesta quando for rotulada corretamente. O erro ético está em vender a imitação com a linguagem da peça real, usando palavras como autêntico ou único para algo que foi produzido em série com padrão de efeito.
Esse ponto tem consequência prática para quem escreve páginas de produto. Termos como "concreto", "concreto arquitetônico" e "efeito concreto" não são sinônimos, e o consumidor atento percebe a diferença. Uma página clara, que diz exatamente o que é o material, protege a marca e cria confiança. Em 2027, a transparência sobre o material deve ser tratada como parte do produto.
Como o mercado de concreto ainda tem muita informação espalhada, deixo um roteiro de perguntas para qualquer comprador, seja ele arquiteto, construtor ou consumidor final. Um bom fabricante responde todas sem constrangimento.
Uma resposta vaga a qualquer uma dessas perguntas não é necessariamente má fé, mas é um sinal de que a marca ainda não documentou o próprio produto. Para o comprador, esse sinal vale tanto quanto qualquer selo de qualidade.
Um texto de tendências que só concorda com as tendências não serve para ninguém. Por isso, registro quatro discordâncias que tenho com o discurso dominante.
Primeira discordância: tendência não deve ser critério principal para um item de vida longa. A cuba de concreto é um produto que deve durar muitos anos. Trocar um banheiro porque a moda mudou tem custo alto, em dinheiro e em impacto ambiental. O arquiteto Sérgio Facundes, na reportagem da Correio, alerta exatamente contra isso. Concordo e vou além: a tendência deve influenciar a escolha entre opções que o cliente já considera, mas não deve justificar uma escolha que ele não faria sem ela.
Segunda discordância: a palavra previsão é usada como se fosse dado. Vários textos de 2027 dizem que a tendência vai marcar ou tende a aparecer. São previsões legítimas, mas quase nunca vêm com método. Quando um texto diz que formas orgânicas vão aparecer, ele não está medindo nada. Está opinando. Prefiro uma opinião declarada a um dado inventado.
Terceira discordância: a tese de que o cromo substitui o latão é a afirmação de uma pessoa. Uma designer influente pode estar certa, mas outras fontes apontam o contrário. Montar uma linha de produto em cima de uma única afirmação é um erro comum. A pergunta correta é: o que o meu cliente real escolhe nas minhas vendas? Essa resposta vem dos dados da própria loja, e não de uma revista.
Quarta discordância: o minimalismo quente não é uma descoberta. Ele é uma releitura de princípios antigos da arquitetura, como o uso de materiais de textura e a luz controlada. Quem vende a novidade como ruptura corre o risco de ser desmentido pelo próprio cliente, que já viu aquilo em casas de referência. A honestidade é mais convincente do que a promessa de novidade.
Essas discordâncias não significam que eu rejeite as tendências. Significam que quero usá-las com critério. Uma tendência boa aumenta a chance de a peça ser escolhida. Uma tendência mal usada vende uma peça que o cliente vai se arrepender de ter comprado.
Como empresário, prefiro olhar para as lacunas do mercado em vez de reclamar da concorrência. Vejo cinco oportunidades concretas para quem vende concreto arquitetônico em 2027.
Documentação pública e acessível. Ficha técnica completa, laudo de absorção de água, manual de instalação e guia de manutenção devem estar disponíveis para download e na própria página do produto. A página da ZH1009 já aponta para um manual de instalação separado, o que é um bom começo. O próximo passo é tornar esses documentos parte da experiência de compra, e não um arquivo escondido.
Conteúdo para quem especifica. Arquitetos e engenheiros pesquisam antes de indicar um material. Um texto técnico, com dimensões, cargas, fixação e instruções de manutenção, vale mais do que dez posts de inspiração. A Zhen Home mantém um programa para arquitetos, o Zhen Design Award, que é descrito pela própria marca como um programa de codesign com royalties. O desafio é manter essa relação transparente e com regras claras para todos os envolvidos.
Guia de cor como sistema. Uma página de cores com nomes, referências de uso e fotos no mesmo ambiente, sob a mesma luz, reduz dúvidas e devoluções. Ela também cria conteúdo que as buscas procuram, como cuba de concreto verde musgo ou cuba de concreto terracota.
Resposta para a pergunta que chega no WhatsApp. A mesma dúvida aparece em todas as conversas: a parede aguenta? Qual torneira usar? A saída é para o piso ou para a parede? Quanto pesa? Se essas respostas estiverem na página, em forma de perguntas frequentes, o cliente chega decidido e o atendimento fica mais rápido. Esse tipo de conteúdo também ajuda motores de busca e assistentes de inteligência artificial a responder com precisão sobre a marca.
Coerência entre foto e produto. Esse é o ponto que mais protege a reputação. Fotos reais da peça instalada, com a textura real, reduzem a distância entre expectativa e entrega. Em 2027, quem usar render sem avisar vai pagar o preço em avaliações negativas e em disputas com clientes.
Nenhuma tendência de cor sobrevive a uma iluminação mal planejada. A reportagem da Correio Braziliense recomenda luz quente e indireta no lugar da luz branca direta, e essa recomendação merece ser levada a sério no projeto de qualquer banheiro com concreto. O mesmo material muda de leitura conforme a fonte de luz. Um cinza sob lâmpada de tom frio tende a parecer metálico e duro. Sob luz quente, o mesmo cinza ganha um subtom mais acolhedor. Terracota e verde musgo se aprofundam com luz quente e perdem vigor com luz muito branca.
Há uma explicação física simples para isso que vale conhecer. Superfícies foscas espalham a luz em muitas direções, enquanto superfícies brilhantes refletem a luz de forma mais dirigida. O concreto fosco e aveludado, descrito pela FAP Ceramiche como um dos caminhos de 2027, tende a suavizar a iluminação sobre a peça, e isso favorece a leitura de calma. Já a louça brilhante costuma gerar reflexos mais duros, que aparecem com mais força em ambientes pequenos. Essa é uma explicação de comportamento de superfícies, e não um dado medido em estudo específico. Por isso, a recomendação prática é testar a peça com a luz real do projeto.
Minha sugestão para o arquiteto é simples. Antes de fechar a cor, leve a amostra ao ambiente e veja o concreto em três horários diferentes, com a luz natural e com a iluminação artificial acesa. Para o lojista, a sugestão é fotografar a mesma peça em duas condições de luz, quente e neutra, e mostrar as duas lado a lado. Isso reduz a chance de a cor real surpreender o cliente, que é uma das causas mais comuns de devolução em peças de acabamento variável.
Há também uma oportunidade de projeto que o mercado ainda explora pouco. A luz indireta, por exemplo, pode ser pensada como parte do objeto. Uma fita de luz quente posicionada sob a borda da bacia, ou um ponto de luz voltado para a parede atrás da peça, cria uma sombra suave que destaca a textura. O concreto, nesse caso, deixa de ser apenas um objeto e passa a ser um cenário. Esse tipo de solução depende de instalação elétrica prévia, e por isso precisa entrar na planta desde o início.
Uma crítica que faço a boa parte do conteúdo sobre iluminação é que ele fala em temperatura de cor e em lúmens como se fossem regras universais, sem considerar o ambiente. Um banheiro pequeno sem janela não tem a mesma necessidade de um lavabo com vista para jardim. A luz precisa responder à arquitetura do lugar, e não a uma lista de recomendações copiada de outro projeto.
A reportagem da Correio lista conforto térmico e acústico entre as considerações que o projeto precisa fazer antes de adotar uma estética, e eu concordo com essa ordem de prioridade. O banheiro é um dos cômodos com maior variação de temperatura e umidade da casa, e é também um dos mais reverberantes, porque as superfícies duras devolvem o som com facilidade.
Sobre temperatura, a expectativa correta é modesta. Uma cuba, sozinha, não é um elemento de isolamento térmico, e não deve ser vendida como tal. O que pode ser dito, com cautela, é que materiais densos como o concreto têm inércia térmica, ou seja, demoram mais para acompanhar as variações de temperatura do ambiente. Esse efeito é real na construção como um todo, mas o impacto de uma única peça de lavabo sobre o conforto do cômodo é pequeno. Qualquer material que prometa grande ganho térmico por causa de uma cuba merece desconfiança.
Sobre acústica, o problema é mais concreto. Um banheiro com superfícies duras, como azulejo, vidro, louça e concreto, tende a ter reverberação alta, o que faz a voz e os ruídos parecerem mais altos. A solução usual é acrescentar superfícies absorventes, como tapetes, cortinas, tecidos e madeira. Curiosamente, essa é uma das forças da tendência de 2027. As fontes descrevem tecidos macios, linho, lã e madeira como elementos de composição, e esses materiais ajudam a suavizar o som do ambiente. A estética e a função se encontram aqui.
Minha análise é que a peça de concreto deve ser vista como parte de um conjunto. Se o banheiro tem apenas superfícies duras, a cuba de concreto não resolve a acústica e pode até acentuar a dureza do ambiente. Se ele tem madeira, tecido e iluminação quente, a peça se integra a um equilíbrio que funciona melhor. Essa é uma leitura de composição, e não um dado medido. Ela deve ser testada em obra real, com atenção aos ruídos que incomodam o usuário.
Há ainda um ponto de conforto que costuma ser esquecido: o contato com a superfície. Um material mais frio ao toque, como o concreto liso e polido, pode parecer desagradável em um banheiro frio pela manhã. Um acabamento fosco e levemente texturizado, como o que as fontes de 2027 descrevem, tende a ser percebido de forma mais agradável ao toque. Essa percepção é subjetiva, e varia de pessoa para pessoa, mas deve entrar na conversa com o cliente.
A maior parte das frustrações com materiais de acabamento não nasce do material em si, mas da manutenção esperada e da manutenção realizada. O concreto arquitetônico não é diferente. A página do produto da Zhen Home recomenda limpeza com água e sabão neutro, e essa é a orientação central para o dia a dia. Como princípio geral de cuidado com superfícies foscas e texturizadas, costuma-se evitar esponjas abrasivas e produtos ácidos ou com alto poder de corrosão. Ainda assim, a recomendação definitiva deve sempre vir do fabricante, em manual específico do produto.
A água tem papel importante na manutenção. Em regiões de água dura, ou seja, com alto teor de minerais, é comum a formação de depósitos e manchas esbranquiçadas em superfícies de todo tipo, inclusive em louça e metal. Secar a superfície após o uso e limpar com regularidade reduz esse acúmulo. Essa é uma recomendação de bom senso aplicável a qualquer material de banheiro, e não uma exigência particular do concreto.
Há uma pergunta que o comprador deve fazer ao fabricante: é recomendada alguma forma de proteção ou selagem periódica? A resposta varia conforme o produto e o acabamento. Um fabricante sério terá uma orientação clara. Um fabricante que diz que o produto nunca precisa de nada deve explicar por quê, porque qualquer superfície exposta à água e ao uso precisa de cuidado. Essa é uma das perguntas que mais esclarecem a qualidade da informação de uma marca.
A patina, que Claire Sá defende como parte da beleza do material, exige uma comunicação cuidadosa. Existe a mudança natural de tom e de textura que acontece com o uso e o tempo, e que muitos clientes valorizam. E existe a mancha, que resulta de descuido, de produto inadequado ou de água parada, e que exige limpeza específica. A marca que vende a patina como encanto precisa deixar claro onde termina a beleza e onde começa a manutenção. Sem essa distinção, o cliente se frustra com algo que deveria ter entendido antes da compra.
Minha recomendação para quem tem uma peça de concreto em casa é registrar as condições de instalação, o tipo de limpeza usado e as ocorrências ao longo dos anos, com fotos. Isso ajuda a diferenciar a patina natural de um problema real, e fornece ao fabricante informação para melhorar a orientação dos próximos clientes. Um bom ciclo de feedback é, a meu ver, o diferencial mais barato que uma marca pode construir.
As duas peças citadas neste texto compartilham a mesma linguagem: 40 cm de diâmetro, friso de 15 mm e uma bacia de 11 cm que se destaca do corpo. A diferença está na forma de instalação, e essa diferença muda a conversa com o cliente. A tabela abaixo reúne apenas os dados que aparecem nas páginas consultadas. Quando um item não está informado na página, a célula diz isso, e não preenche com suposição.
| Item | Cuba de piso ZH1009 | Cuba suspensa ZH1010 |
|---|---|---|
| Diâmetro | 40 cm | 40 cm |
| Altura total | 45 cm | 45 cm |
| Altura do corpo | 34 cm (coluna) | 34 cm |
| Altura da bacia | 11 cm, incluindo friso de 15 mm | 11 cm, incluindo friso de 15 mm |
| Tipo de instalação | Autoportante, apoiada no piso | Fixada na parede |
| Suporte | Não se aplica | Incluso |
| Válvula e sifão | Não detalhado na página consultada | Instalados de fábrica |
| Torneira | Não detalhada na página consultada | Não acompanha o produto |
| Cores informadas | Natural, verde, terracota, romano e preto | Preto, cinza, verde, terracota e romano |
| Pede verificação estrutural | Não se aplica à fixação na parede | Sim, da parede e da fixação |
A leitura da tabela revela o que cada peça resolve. A ZH1009 atende ao cliente que quer uma escultura de chão, sem obra na parede e com instalação mais direta. A ZH1010 atende ao cliente que quer liberar o piso e tem uma parede preparada para receber o conjunto. Ambas podem conviver na mesma loja, desde que o vendedor saiba explicar quando cada uma faz sentido. Uma regra prática que costumo usar: se a obra ainda está no papel, a peça suspensa exige que o projeto hidráulico e estrutural incorpore a decisão desde o início. Se a obra já está pronta, a peça de piso tende a ser a escolha mais simples.
Há uma comparação de cor que o cliente costuma fazer e que merece atenção. Como as duas linhas compartilham tons como verde, terracota, romano e preto, a combinação entre elas em um mesmo projeto é possível, por exemplo, em um lavabo com uma peça de piso e um banheiro com uma peça suspensa. A recomendação é manter a mesma temperatura de cor nos dois ambientes, para que a casa tenha coerência. Essa é uma regra de composição que vale em qualquer estilo.
Para escrever sobre o futuro com honestidade, transformo as tendências em hipóteses que podem ser confirmadas ou refutadas. Uma previsão que não pode ser testada não serve para decidir nada. Abaixo, três hipóteses que considero relevantes para o concreto em 2027, cada uma com o sinal que a confirmaria e o que a refutaria.
Hipótese 1: o concreto colorido ganha participação em relação ao cinza. Ela se apoia nas paletas terrosas descritas pela Maison Vogue e pela FAP Ceramiche, e no interesse por neutros com subtom. O sinal que a confirmaria é o crescimento da participação de verde, terracota e romano nas vendas, em comparação com o preto e o cinza. O sinal que a refutaria é a manutenção do preto e do cinza como cores majoritárias. A Zhen Home pode medir isso pelos dados por SKU no Google Analytics 4, comparando períodos com a mesma sazonalidade. Até que a medição exista, a hipótese continua sendo hipótese.
Hipótese 2: o efeito concreto em outros materiais ganha espaço pela manutenção e pelo peso. Ela se apoia na oferta crescente de porcelanato com aparência de concreto, como a linha da FAP Ceramiche. O sinal que a confirmaria é a ampliação do efeito cerâmico no catálogo de lojas e na especificação de arquitetos, acompanhada de vendas consistentes. O sinal que a refutaria é o cliente pagar mais pelo material real mesmo quando conhece a alternativa, o que indicaria que o valor percebido está na autenticidade e não só no custo. Essa hipótese é a mais importante para a Zhen Home, porque define se a nossa mensagem deve enfatizar a diferença entre material real e imitação.
Hipótese 3: os metais se dividem, e nenhum acabamento domina. Ela se apoia na divergência entre a Dezeen, que fala em cromo, e a Maison Vogue e a Correio, que apontam para o latão e metais envelhecidos. O sinal que a confirmaria é a proporção de acabamentos de torneira em equilíbrio, sem um acabamento que passe da maioria. O sinal que a refutaria é a concentração em um único acabamento ao longo do ano. Como a cuba é vendida sem torneira, a Zhen Home tem interesse direto em conhecer essa proporção por meio de pesquisa com clientes e de perguntas no atendimento.
O exercício de transformar tendências em hipóteses tem um efeito útil: ele tira o debate do campo da opinião e o coloca no campo da observação. Uma marca que mede o que vende aprende mais rápido do que uma marca que apenas lê tendências. Esse é, na minha visão, o principal aprendizado que deixo para quem trabalha com design e produto em 2027.
Uma das tendências menos barulhentas, e talvez a mais importante, é a aproximação entre fabricante e projetista. A própria Dezeen descreve o período como de ambientes mais pessoais, em que o cliente quer uma casa que pareça dele. Para isso, o arquiteto precisa de liberdade para interpretar o material, e o fabricante precisa de informação de campo para melhorar o produto. Essa troca é o núcleo do que a Zhen Home chama de codesign.
A Zhen Home mantém o Zhen Design Award, descrito pela própria marca como um programa de codesign para arquitetos com royalties, de longo prazo. Escrevo sobre ele com cuidado, porque é um interesse da própria marca. A lógica do programa é clara: o profissional que contribui com um desenho ou com uma aplicação recebe reconhecimento e remuneração, e a marca ganha um repertório de peças pensadas a partir da prática de projeto. O risco é que a relação vire apenas uma ferramenta de venda, com regras que favorecem o fabricante. Por isso, as regras precisam ser escritas, conhecidas por todos e revistas com regularidade.
Esse modelo funciona melhor quando o arquiteto entende a limitação técnica do material. Concreto tem peso, exige fixação, responde à umidade de forma específica e varia de peça para peça. Um projeto que ignora essas condições cria um problema para o cliente e para a reputação do próprio profissional. Por isso, a primeira contribuição do fabricante ao arquiteto é a informação técnica completa, e não a inspiração visual. A inspiração vem depois, quando a base está clara.
Há uma pergunta que cada arquiteto deveria fazer antes de aceitar um programa desse tipo: quem é dono da ideia do projeto, quem pode usar o desenho depois e como são divididos os ganhos quando a peça vende. Em um mercado em que a comunicação de marca é cada vez mais digital, o desenho de um profissional pode ser copiado em minutos. Contratos claros e uma política de atribuição transparente protegem as duas partes.
Minha expectativa para 2027 é que o codesign deixe de ser exceção e passe a ser um critério de confiança. Um fabricante que trabalha com arquitetos de forma transparente tende a produzir peças mais coerentes com a prática de projeto. E um arquiteto que participa desse processo tende a especificar com mais segurança. A tendência não é apenas estética. É uma mudança na forma como produto e projeto se relacionam.
Também é preciso reconhecer os limites desse modelo. Nem todo arquiteto quer participar de um programa de marca, e nem toda marca tem estrutura para sustentar um relacionamento de longo prazo. A melhor forma de começar é pequena: um projeto piloto, com escopo definido, prazo claro e uma avaliação ao final. Se o resultado for bom para as duas partes, o programa cresce. Se não for, a marca aprende sem ter comprometido uma carteira inteira de profissionais.
Quase todo debate sobre tendências parte da casa nova, do projeto do zero e da obra planejada. Mas uma parte grande da demanda real está na reforma, e na reforma o concreto enfrenta perguntas diferentes. A primeira é estrutural: o piso e a parede existentes suportam a peça? A segunda é hidráulica: onde passa a tubulação e qual é o caimento disponível para a saída de esgoto? A terceira é regulatória: o condomínio tem regras para obras em áreas comuns ou para alterações em instalações?
Essas perguntas não têm resposta genérica, e qualquer texto que afirme o contrário está simplificando. Em apartamentos, a estrutura do prédio, as regras do condomínio e a disposição das prumadas de água e esgoto mudam completamente o que é viável. Por isso, a recomendação correta é envolver o profissional responsável pela obra desde a visita técnica, antes da compra da peça. Quem compra antes de medir pode descobrir que a peça escolhida não cabe no espaço ou não tem onde ser ligada.
Para a peça de piso, a reforma costuma ser mais simples, porque a cuba apoia no chão e precisa apenas de uma ligação de água e esgoto adequada. Para a peça suspensa, o cuidado é maior, porque a fixação depende da parede e o peso precisa ser absorvido por ela de forma segura. Em ambos os casos, a medição precisa considerar a altura da bancada, o espaço de circulação e a posição da saída, pelo piso ou pela parede.
Há uma oportunidade de conteúdo aqui que quase ninguém explora. Um guia de reforma que mostra, em etapas, o que verificar antes de escolher uma cuba de concreto poderia ser útil para milhares de pessoas que hoje pesquisam o assunto de forma fragmentada. Esse tipo de conteúdo, bem escrito e revisado por um profissional habilitado, responde perguntas reais e constrói confiança muito antes da compra.
Minha crítica a boa parte dos conteúdos de reforma é que eles mostram o resultado final e omitem o processo. A foto do banheiro pronto é inspiradora, mas não ensina nada sobre a parede, o esgoto ou a fixação. Quando o leitor percebe que o processo foi escondido, desconfia do resultado. Mostrar o processo, mesmo que ele seja menos bonito, é a forma mais segura de conquistar um cliente que precisa tomar uma decisão de alto custo.
Há um risco específico para quem escreve sobre tendências e vende o que está em tendência: parecer oportunista. O leitor atento percebe quando um texto existe apenas para justificar uma compra, e essa percepção destrói a credibilidade da marca com rapidez. Para evitar isso, uso alguns critérios que considero essenciais e que adotei neste texto.
O primeiro critério é declarar o interesse. Eu disse logo no começo que a Zhen Home fabrica as peças citadas. Quem lê sabe disso e pode descontar a parte de tendências pela própria conta. Esconder o interesse, por outro lado, é uma forma de manipulação, mesmo quando é feita com boa intenção.
O segundo critério é separar fato de opinião. Quando uma fonte afirma que algo vai acontecer, ela está fazendo uma previsão, e a previsão precisa ser tratada como tal. Quando uma fonte cita um número, o número precisa vir com origem. Os textos de 2027 que li misturam essas categorias com frequência, e a minha crítica a eles é justamente essa mistura.
O terceiro critério é não transformar a tendência em promessa. Dizer que uma cor vai estar em alta é diferente de dizer que uma peça vai valorizar. Dizer que o concreto é sustentável é diferente de dizer que uma cuba específica tem baixo impacto. Cada afirmação deve ser proporcional à evidência que a sustenta, e nenhuma deve ir além disso.
O quarto critério é aceitar a crítica. Um texto de tendências que não admite discordância vira propaganda. Por isso, incluí neste artigo as discordâncias que tenho com o discurso dominante e as incertezas que não consegui resolver. Espero que o leitor encontre nelas mais utilidade do que em uma lista de promessas.
O quinto critério é manter a coerência entre o que se diz e o que se entrega. Uma marca que fala em transparência precisa publicar laudos, fichas técnicas e fotos reais. Uma marca que fala em autenticidade precisa vender o material que anuncia. Quando essas duas coisas se separam, o cliente percebe, e a reputação paga o preço.
As fontes indicam crescimento do interesse por materiais com textura e autenticidade, e o brutalismo suave aparece com destaque na imprensa de 2026, segundo a reportagem da Correio Braziliense e a análise da Dezeen. Não encontrei estatística publicada que permita afirmar crescimento de vendas do concreto em 2027. A resposta honesta é que existe sinal de interesse, e não prova de mercado.
Até a data deste texto, não encontrei anúncio oficial da cor de 2027. O anúncio do ano de 2026, a PANTONE 11-4201 Cloud Dancer, saiu em dezembro de 2025. Qualquer lista de cor de 2027 publicada antes do anúncio oficial é uma previsão.
Depende de como a pergunta é feita. O cimento, componente central do concreto, responde por cerca de 8% das emissões globais de CO2, segundo o Fórum Econômico Mundial. A indústria declarou meta de concreto carbono neutro até 2050, e a sua própria página informa redução de 20% por tonelada de cimento nas últimas três décadas. A sustentabilidade de uma peça específica depende de dados do produto, e não apenas do material.
Antes da instalação, a estrutura da parede precisa ser avaliada, e a fixação deve seguir a orientação do fabricante e ser feita por profissional habilitado. Não existe um número genérico que substitua essa avaliação, porque ele depende da parede, do suporte e do peso da peça conforme a ficha técnica.
Não há resposta única, e as fontes divergem. Como regra de composição, tons quentes de concreto, como terracota e verde musgo, costumam combinar com latão envelhecido. Tons frios, como preto e cinza, costumam combinar com cromo. Essa é uma análise de composição, e deve ser confirmada com amostras no ambiente real.
A impermeabilidade deve ser comprovada por ensaio de absorção de água conforme a norma aplicável, com o resultado informado pelo fabricante. A porosidade visível da superfície não significa, por si só, absorção de água. Peça o laudo antes de comprar.
Não. Concreto é o material. Efeito concreto é um acabamento que imita o aspecto do concreto em outro material, como a porcelana. As duas opções podem ser legítimas, desde que sejam apresentadas com clareza ao cliente.
Alguns termos aparecem ao longo deste texto e merecem definição simples, para evitar confusão entre o que é técnico, o que é estético e o que é marketing.
Uma análise honesta precisa dizer onde termina. Este texto não resolve a pergunta mais importante para quem vai investir em 2027: qual proporção do mercado vai preferir concreto real, efeito concreto ou outro material. Não encontrei pesquisa de consumo publicada, com metodologia aberta e amostra conhecida, que responda a essa pergunta para o Brasil. Sem essa pesquisa, qualquer percentual seria invenção, e eu prefiro deixar a lacuna visível.
O texto também não resolve a questão de preço. O valor de uma peça de concreto depende de custo de produção, logística, instalação, garantia e posicionamento de marca, e nenhum desses fatores foi tratado aqui com dados de mercado. Essa é uma análise que exige contabilidade real, e não tendência de revista.
Há ainda uma limitação metodológica que assumo. As fontes de tendências que li são, em sua maioria, textos editoriais ou comerciais, e não estudos com metodologia aberta. Procurei compensar isso com fontes de natureza diferente, como a reportagem com arquitetos, o roteiro de uma associação da indústria e a cobertura de uma instituição internacional de referência. Mesmo assim, a leitura do futuro continua sendo uma leitura, e não uma medição.
Por fim, o texto não substitui o julgamento do profissional que conhece o cliente, a obra e o orçamento. Tendência é insumo de decisão, e não decisão. Quem decide bem em 2027 vai cruzar o que leu com o que observa no próprio contexto, e vai desconfiar sempre que alguma informação parecer boa demais para ser verdade.
Se você é arquiteto, lojista, construtor ou consumidor e tem dados que contradizem ou confirmam algo deste texto, a contribuição é bem-vinda. Uma análise melhora quando é discutida, e a discussão é a forma mais barata de corrigir erros antes que eles virem decisão de compra.
Para quem vai especificar ou comprar uma cuba de concreto em 2027, deixo um roteiro simples, baseado no que li e na minha experiência como fabricante.
O que as fontes confiáveis dizem sobre 2026 aponta para uma arquitetura mais contida, mais tátil e mais honesta sobre seus materiais. As previsões para 2027 seguem essa direção, com mais combinação intencional e menos fórmula. O concreto tem vantagens reais nesse cenário: presença visual, variação natural, longevidade possível e uma linguagem que funciona como ponto focal. Também tem desafios reais: pegada de carbono, peso, necessidade de planejamento na instalação e a responsabilidade de comunicar variação sem prometer uniformidade.
Minha expectativa como fabricante é que o mercado se divida. De um lado, peças decorativas vendidas por foto e por tendência. Do outro, produtos documentados, com ficha técnica, instalação planejada, manutenção explicada e cor apresentada como sistema. Acredito que o segundo grupo vai crescer, porque clientes e arquitetos estão ficando mais exigentes. Essa é uma aposta, e eu a declaro como aposta.
A Zhen Home quer estar do lado da documentação e da honestidade. As peças citadas neste texto, a cuba suspensa ZH1010 e a cuba de piso ZH1009, mostram como uma mesma linguagem, com o mesmo friso de 15 mm e proporções claras, pode servir a instalações diferentes. Cada uma exige uma conversa diferente com o cliente, e é essa conversa que quero continuar melhorando.
Revistas e sites de arquitetura e design
Blogs de tendências e decoração (previsões, com interesse comercial declarado)
Organizações e dados de referência
Zhen Home
Nota sobre as fontes: as reportagens e os textos de tendências foram lidos para esta análise. As datas, as metas e os números de organizações foram conferidos nas páginas indicadas. Não há, nesta página, dados de mercado, pesquisas de consumo ou volumes de venda, porque não encontrei fontes confiáveis publicadas para esses dados. Quando uma afirmação é apenas opinião, ela aparece como análise.
Jefferson Martins
CEO da Zhen Home